Teoria de Mudança – fundamentos e aplicação

March 31st, 2018 Posted by Metodologias, Regenera 0 thoughts on “Teoria de Mudança – fundamentos e aplicação”

ORIGENS

Em 1995, Carol Weiss, pesquisadora e autora renomada no campo da gestão e avaliação de programas, publicou suas idéias no artigo New Approaches to Evaluating Comprehensive Community Initiatives (começa na página 65/79), aprofundando os desafios para avaliação de resultados e impactos de iniciativas sociais.

O trabalho tinha como base um longo estudo criado a partir de um grupo chamado “Mesa Redonda sobre Iniciativas Comunitárias Abrangentes para Crianças e Famílias”, enraizado na perspectiva de que os integrantes, líderes, organizações, instituições e sistemas comunitários precisavam alinhar seus propósitos, de forma inteligente e consistente, de forma a coletivamente produzir o bem-estar e desenvolvimento individual e comunitário. Um desafio gigantesco e presente no campo social desde suas origens.

Neste artigo, ao lado de vários outros contribuintes, Carol Weiss sistematizou uma narrativa capaz de ajudar as organizações a demonstrarem suas possíveis contribuições para a mudança efetiva que esperam nas realidades sociais, da forma mais clara possível. As teorias de mudança e as teorias da ação foram reforçadas como maneiras importantíssimas de qualificar as intervenções na sociedade, sejam elas de origem pública ou privada.

Observando a importância de que as cadeias de resultados que levam aos impactos fossem conhecidas e explicitadas, que os esforços individuais e em rede fossem melhor percebidos, articulados e pactuados e que uma visão mais sistêmica das ações fosse construída, Carol Weiss parece ter cunhado, naquele momento, a expressão “nada é mais prático que uma boa teoria”, explicando a força que a construção prévia e dialogada de uma teoria dos resultados e de uma teoria da ação pode ter para as iniciativas sociais.

DEFINIÇÕES

Depois de ter facilitado a construção de dezenas de teorias de mudança para diferentes iniciativas sociais, Rogério Silva, um dos iniciadores da comunidade Regenera, organizou alguns passos para os que querem construir teoria de Mudança para suas iniciativas. Veja o PDF. Vai um excerto dos fundamentos, assentadas na ideia de que toda iniciativa social precisa ser capaz de:

  • apontar os resultados de longo prazo que deseja alcançar, as transformações sociais com as quais se compromete, o que significa uma declaração de seus propósitos e compromissos.
  • demonstrar as etapas que devem ser percorridas até que os resultados finais sejam alcançados, de forma a explicitar os passos, as entregas, os caminhos e os prazos necessários ao alcance de seus propósitos. Observando a complexidade da realidade e dos caminhos da mudança, e atenta à governabilidade limitada de suas ações e à interdependência com as ações de outros atores, a explicitação dos resultados pode ser muito importante para alinhar esforços e regular expectativas.
  • ter clareza sobre os públicos-alvo para os quais trabalha e sobre os atores necessários ao trabalho, bem como das estratégias utilizadas para produzir os resultados esperados.
  • conhecer as condições e os pressupostos nos quais suas ações e métodos se apoiam, o que pode ampliar a consistência de seu trabalho e o potencial de suas ações.
  • oferecer uma narrativa clara e convincente a respeito de seus propósitos e estratégias.

Dessa forma, uma Teoria de Mudança deve conseguir:

  • Apoiar processos de planejamento, monitoramento e avaliação.
  • Engajar stakeholders em visões compartilhadas.
  • Criar expectativas realistas sobre a iniciativa e seus resultados.
  • Orientar e embasar processos de decisão.
  • Criar alavancas para aumentar a efetividade de uma organização.
  • Favorecer o posicionamento e a comunicação de uma iniciativa.

APLICAÇÃO

A construção de uma Teoria de Mudança gera uma representação gráfica de fácil assimilação, que sistematiza o impacto maior do projeto/organização, as entregas de longo, médio e curto prazo, produtos, estratégias e princípios ou premissas, que são as lentes pelas quais a organização vê e compreende a realidade. Tudo começa pelos princípios e pressupostos, elementos que irão explicitar o porquê das entregas e sua relação com o impacto final.

Ao fim, a representação da TdM deve ficar mais ou menos assim:

Uma teoria de mudança, contudo, não encerra os esforços necessários para avaliar. Ela, contudo, favorece que uma iniciativa selecione ou construa os indicadores que podem ser mais relevantes em cada momento do tempo. À medida que a cadeia de resultados está consistentemente demonstrada, fica fácil entender se há correlação objetiva entre o que a organização está fazendo e seu objetivo maior, o que é um atributo fundamental para boas práticas de monitoramento e avaliação.

Para unir todo o trabalho, ao final do processo é importante criar uma narrativa que una todos os pontos, explicando as diferentes conexões. Isto ajudará a organização a engajar parceiros, captar recursos e avaliar de forma objetiva e clara o papel de sua organização no cumprimento de sua missão.

PARA MAIS INFORMAÇÕES

• Center for Theory of Change.
http://www.theoryofchange.org/what-is-theory-of-change/how-does-theory-of-change-work/glossary/
https://usaidlearninglab.org/lab-notes/what-thing-called-theory-change
https://en.wikipedia.org/wiki/Theory_of_change
• Andrea Anderson_Theory of Change – http://www.dochas.ie/Shared/Files/4/TOC_fac_guide.pdf
• Msila V. & Setlhako, A. – http://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ1053973.pdf
• Funnell, Sue & Rogers, Patrícia. Purposeful Theory of Change. Effective use of theories of change and logic models. São Francisco, CA: Jossey-Bass.
• Referências biográficas em várias oficinas e processos de trabalho
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